Rua Fradique Coutinho, 1855, Vila Madalena, São Paulo-SP CASA DA XICLET GALERIA por ANDRÉ SZTUTMAN. Artista humilde e amigo A Casa da Xiclet é uma galeria de arte e também uma residência. A presença de uma transforma a outra – a galeria é diferente por causa da casa e a casa é diferente por causa da galeria. Além disso, a partir da consciência desse processo, existe a perspectiva da galeria-casa como obra. O conteúdo da ‘obra’ deriva de três espaços: O espaço da galeria( galpão chamado Let´s Xic) e o que lhe diz respeito, ou seja, sua política; sua organização; seus temas; suas exposições e mostras, as pessoas envolvidas e suas atuações diversas;a sua divulgação,a sua comunicação com a mídia e através dela, com o circuito da arte, etc. O espaço da casa, ou seja, o quarto, a cozinha, o banheiro, os utensílios domésticos, a privacidade de quem mora ali, o respeito que se tem ao entrar na casa de alguém, a educação, e também a informalidade, a intimidade entre as pessoas, a praticidade, e a possibilidade de ócio, etc. E o terceiro espaço é o da identidade daquele lugar, onde a casa e a galeria se fundem, uma vez que o limite entre elas é flexível e pode se esgarçar ou se atenuar, conforme as circunstâncias. Este terceiro espaço cresce em conteúdo na medida em que se vive nele, o que permite o compreender e o constituir. A programação do espaço inclui exposições de artes, espetáculos musicais, projeção de filmes, eventos, jogos, festas, palestras e oficinas. TUDO EM UM AMBIENTE CASEIRO ONDE SE PODE VIVENCIAR O LAZER CULTURAL. Não é underground é Playground! e Não é Ponto de Cultura, é Ponto de Interrogação. A compreensão deste espaço híbrido se expressa muitas vezes através dos slogans e das divulgações da casa, assim como nos próprios temas das exposições. Estes, a partir de uma posição crítica e ideológica, desvelam esse conteúdo gradualmente. Por exemplo: A exposição que normalmente ocorre em janeiro / fevereiro propõe aos artistas participantes que pensem em obras que envolvam o jogo e interatividade, e ao mesmo tempo, comenta a questão do ressurgimento da aura através de uma crítica ao status ‘underground’: o slogan da exposição é “NÃO É UNDERGROUND , É PLAYGROUND”. O underground se tornou uma marca, uma maquiagem. O playground por sua vez é um espaço que não tem a menor autonomia, que depende do exercício de ações dentro dele, podendo ocupar espaços variados como o de um tanque de areia, de uma casa, de um quintal, de uma calçada na rua ou de um parque mas onde sobretudo, sua caracterização depende das atividades ali desprendidas.Um fator importante diz respeito à acessibilidade da casa, que abre inscrições, mediante um valor que é cobrado, indiscriminadamente, para quem quiser participar. A casa trabalha com um amplo espectro tanto quantitativamente quanto qualitativamente. São muitos artistas. Enquanto uma galeria convencional trabalha com quinze ou vinte artistas por ano, a casa da xiclet trabalha com quinze ou vinte artistas por mês. Além disso, por não haver seleção de obras, há essa variante qualitativa, onde encontramos tanto trabalhos situados no atual contexto de produção de arte contemporânea, a par de suas discussões, quanto pinturas de ‘praça da república’. Há ali publicitários, fotógrafos, médicos, donas-de-casa, adolescentes, cineastas, coletivos, anônimos, desempregados, e todo o tipo de artistas, em fim, muita gente diferente expondo. DESSA MANEIRA, O ESPAÇO DA GALERIA DE ARTE NÃO NOS DIZ O QUE É ARTE E O QUE NÃO É, NÃO DETÉM ESTE PODER NEM ASSUME ESSE PAPEL, E A EXPERIÊNCIA É MAIS RICA POR CAUSA DISSO. A experiência se enriquece na medida em que o público (que também é visita) está livre de uma relação imperativa. Surge um contexto propício para o aprendizado, e para uma compreensão das obras que não a partir de seu status de elevação, mas de seu conteúdo, que nesse contexto se sobressai. A casa como obra vai contra qualquer noção de "obra" fechada em si mesma. É imaterial, é um conjunto de relações, de pessoas, de acontecimentos. Mas é também a favor de todas as obras que possam surgir nesse espaço cujo valor definitivo é a convivência. O fato de não haver um imperativo ‘arte’ por meio de uma espécie de diluição desta com o espaço comum da vida e pela heterogeneidade dada pela política de não-seleção é de suma importância em uma análise de estratégias de desmistificação. Essa política se expressa num slogan da casa, “SEM-CURADORIA, SEM-SELEÇÃO, SEM-JUROS, SEM-JABÁ, SEM-ENTRADA , SEM-PATROCINADOR E SEM-SAÍDA”. O processo de criação surge da vivência contínua e da manutenção desta; da possibilidade de ócio, durante o almoço, tomando cerveja, da informalidade, nascem as melhores idéias. Foi o caso do nome da ‘Auto-Escola’, setor educativo da casa que se dedica à criação de cursos e oficinas, e disponibiliza um espaço gratuito para artistas que apresentarem projetos, e funciona como uma auto-gestão independente da galeria. Há uma tendência clara em brincar com as palavras e com humor. Outra tendência forte é a de usar o próprio circuito ‘oficial’ das artes e seus “conceitos” como material de trabalho. A mostra de arte eletrônica ‘FILE’, que ocorre anualmente em São Paulo, por exemplo, foi material para a casa da Xiclet criar a sua própria versão paródica, intitulada X-Filet (X Festival Internacional da Linguagem Eletrônica Tutti-Frutti). O cartaz dessa exposição é uma seqüência de imagens xerocadas de um contra-filé. Outro exemplo foi a ‘resposta’ da casa da xiclet à bienal vazia: uma mostra coletiva intitulada “Bienal: To Cheia”. Dessa forma é comum que a programação da casa tenha um paralelo com a programação das instituições do circuito. Mas a Xiclet persiste: “NÃO É PARALELO, É VERTICAL”, driblando com criatividade o perigo de se cair na mesma armadilha do ‘underground’. A ameaça à noção de aura está contida na negação de seu emprego como pedestal-muleta ou como afirmação imperativa de ‘ISSO É ARTE, ISSO NÃO É ARTE’. Em face da dinâmica da casa, a aura perde totalmente sua função. HOUSE OF XICLET by André Stutzman Humble and friend artist House of Xiclet is an art gallery and also a residence. The presence of one becomes the (BR)other - the gallery is different because of the house and the house is different becausq of the gallery. Morover, from the consciousness of this process, exists the perspective of the gallery-house as a work of art. The contents of the 'work' is derived from three places: The gallery space (a shed called "Let's Xic”) ie: Its organization, its themes, its exhibitions, and shows, people that are involved and diverse performance; its promotion, the communication with the media and through media, with the art cycle etc. The area of the house, ie: bedroom, kitchen, bathroom, cooking utensils, the privacy of those who live there, the respect that you must have at someone's home and also the informality, intimacy among people, convenience and leisure. The third space is that’s place identity space, where house and gallery melt together, once the boundary between them is flexible and may ravel or soften depending on circumstances. This third space increases content to the extent that there are people living within it, this allows them to understand and constitute it. The space program includes art exhibitions, musical shows, films, events, games, parties, lectures and workshops. ALL IN AN ENVIRONMENT WHERE YOU CAN CASEIRO LEISURE CULTURAL EXPERIENCE. It’s not underground It’s Playground! The understanding of this hybrid space is often expressed through slogans and in the promotion of the house, as well as in exhibition themes. These themes, from a critical and ideological position disclose such content gradually. For example, the exhibition that normally occurs in January / February proposes the participating artists to think of works that use games and interactivity, and at the same time, comments on the question of the resurgence of the aura through a critique of the 'underground' status (quo) : the slogan of the exhibition is "IT’S NOT UNDERGROUND, IT’S PALYGROUND. The underground has become a brand, a makeup. A playground is in turn an area with no autonomy, it depends on the exercise of performances in it, maybe occupying several spaces such as a tank of sand, a house, a yard, a sidewalk or a park but it mainly depends on the features of the activities executed there. One important factor concerns the accessibility to the house. Enrollment fees are charged indiscriminately to anyone who wants to participate. The house works with a wide spectrum in both quantity and quality. With many artists, while a conventional gallery works with fifteen or twenty artists per year, HOUSE OF XICLET WORKS WITH FIFTEEN OR TWENTY ARTISTS PER MONTH. IN ADDITION, AS THERE IS NO SELECTION OF WORKS, THERE IS THIS QUALITATIVE VARIANT, THERE WE FIND WORKS LOCATED IN THE CURRENT CONTEXT OF PRODUCTION IN CONTEMPORARY ART, ALONG WITH THEIR DISCUSSIONS, AND ALSO THE PAINTINGS FROM CENTRAL PARK. There are publicists, photographers, doctors, housewives, teenagers, filmmakers, collectives, anonymous, unemployed, and all kinds of artists, finally, many different people exposing. ACCORDINGLY, THE SPACE OF ART GALLERY WILL NOT SAY WHAT IS ART AND WHAT IS NOT. IT DOES NOT HOLD THIS POWER NOR ASSUME THAT ROLE, AND THE EXPERIENCE IS RICHER BECAUSE OF IT. The experience arouses to the extent that the public (which is also seen as a visit) is free of an imperative relationship . This arouses propitious context for learning and understanding the work, not by its elevation status, but by its content. The home and work, against any notion of "work" enclosed in itself. It is immaterial, a set of relationships, people, events. But it is also in favor of all the works that might arise in this space whose ultimate value is the coexistence. The fact that there is an imperative 'art' through a kind of dilution of the common area of life and the heterogeneity given by the non-selection is of paramount importance in an analysis of of demystification strategies. This policy is expressed in a slogan of the house "NO-CURATOR, NO-SELECTION, NO-INTEREST, NO-TIP, NO-ENTRY, NO-SPONSOR, NO-WAY-OUT”. The process of creation comes from the ongoing experience maintenance ,from the possibility of leisure, during lunch, drinking beer, the informality, the best ideas are born. This was the case of 'Auto-School' (Auto-Escola), an education sector of the house set to create courses and workshops, and a free space for artists who have submitted their projects. The 'Auto-School' works as self-managed sector independent of the gallery. Xiclet commonly refers to the 'official art’ cycle and their ‘concepts’ in programming of the exhibitions ‘It is not parallel, but vertical’ - says Xiclet herself, about dribbling creatively the danger of falling into the same trap of the 'underground'. The exhibition of electronic art 'FILE', which takes place every year in Sao Paulo, for example, was a matter used by Xiclet to create her own parody version, called X-Filet (X International Festival of Electronic Language Tutti Frutti). The poster of this exhibition is a sequence of images photocopied a raw rib-eye stake. Another example was the 'answer' the house of Xiclet gave to the emptiness biennal, a exhibition entitled ‘Biennial: I’m full’. The threat to the notion of aura is contained in the denial of its use as a crutch or pedestal-like statement of overriding 'THIS IS ART, THIS IS NOT ART'. Given the dynamics of the house, the aura completely loses its function. HOUSE OF XICLET GALLERY Rua Fradique Coutinho, 1855 Vila Madalena CEP 05416-012 Sao Paulo-SP 55 (11) 2579-9007 MON-FRI: 2:00pm / 8:00pm - SAT-SUN-HOL: 2:00pm / 6:00pm
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